iFood investe R$ 17 bilhões até 2026 e projeta 80 milhões de clientes com IA proprietária

iFood investe R$ 17 bilhões até 2026, acelera IA proprietária e projeta 80 milhões de clientes em meio à corrida do delivery
O iFood anunciou um novo ciclo de investimentos diretos de R$ 17 bilhões no Brasil entre abril de 2025 e março de 2026, o maior valor já aportado em um único ano fiscal desde a fundação da empresa. O plano, apresentado no evento iFood Move 2025, em São Paulo, tem como metas centrais elevar a base de usuários ativos de 55 milhões para 80 milhões até 2028 e aumentar o volume mensal de pedidos de 120 milhões para 200 milhões, o que significaria 1 bilhão de pedidos adicionais por ano.
Segundo a companhia, o montante será direcionado principalmente à expansão de restaurantes parceiros, desenvolvimento de inteligência artificial proprietária, oferta de crédito para estabelecimentos e a um robusto programa de descarbonização logística com bicicletas elétricas.

Expansão dos restaurantes parceiros e impacto na cadeia
Do total de R$ 17 bilhões, R$ 6 bilhões serão destinados exclusivamente à expansão dos estabelecimentos parceiros, com ações para impulsionar tráfego na plataforma, aumentar a recorrência de compras e ampliar segmentos atendidos (como mercado, farmácia e pet).
Hoje, o iFood digitaliza cerca de 400 mil estabelecimentos entre operações online e físicas, está presente em 1.500 cidades, atende 55 milhões de clientes ativos e gera renda para aproximadamente 400 mil entregadores.
Estudos encomendados pela empresa à Fipe indicam que, entre 2022 e 2024, os restaurantes parceiros do iFood registraram crescimento médio real de 17,6% nas vendas, um ritmo 2,3 vezes maior que a média do setor. Em 2024, 38% dos pedidos feitos no app vieram de novos consumidores para os restaurantes, reforçando o papel da plataforma como canal de aquisição de clientes.
A expectativa da companhia é que, com o novo ciclo de investimentos, os ganhos dos entregadores somem R$ 5,2 bilhões no período, alta de cerca de 27% em relação ao ano anterior.
Metas do iFood até 2028
IA proprietária no centro da estratégia
Uma das apostas mais fortes do novo plano é a tecnologia. O iFood afirma desenvolver hoje mais de 190 modelos proprietários de inteligência artificial, usados para otimizar toda a jornada – desde a personalização da vitrine para o consumidor até a precificação e o roteamento das entregas.
Os modelos de IA são aplicados em frentes como:
- Recomendação de restaurantes e produtos com base no histórico e no contexto (horário, clima, região);
- Gestão de logística (previsão de tempo de preparo, distribuição de pedidos entre entregadores, rotas mais eficientes);
- Precificação dinâmica e promoções personalizadas;
- Ferramentas para restaurantes, como sistemas de previsão de demanda, otimização de cardápios e soluções de CRM integradas (caso do iFood Salão, com totem, garçom digital e recursos de gestão, que, segundo a empresa, podem multiplicar por 2,5 as vendas presenciais).
O plano prevê 1.100 novas contratações até 2026, principalmente em áreas ligadas a ciência de dados, engenharia de software e desenvolvimento de modelos de IA, reforçando o braço tecnológico da companhia.
Crédito para restaurantes e fortalecimento do iFood Pago
Outra frente relevante do investimento é o crédito. O iFood opera uma carteira que combina capital próprio e FIDCs por meio do iFood Pago, focado em pequenos e médios restaurantes que historicamente encontram barreiras no sistema financeiro tradicional.
Os planos divulgados apontam para:
- Expansão da carteira de crédito de R$ 1 bilhão para R$ 2,8 bilhões;
- Mais de R$ 120 bilhões em repasses financeiros a restaurantes ao longo do ciclo;
- Manutenção de prazo médio de pagamento ao redor de 18 meses;
- Já foram atendidos mais de 40 mil empreendedores desde o início do programa, com aproximadamente R$ 2 bilhões concedidos em crédito.
Ao utilizar dados operacionais da própria plataforma – como volume de pedidos, frequência, ticket médio e histórico de performance – para análise de risco, o iFood afirma conseguir oferecer crédito com critérios diferentes dos bancos tradicionais, o que amplia o acesso ao capital para restaurantes menores.
iFood Pedal: R$ 300 milhões para 45 mil e-bikes e o maior programa de descarbonização do delivery na América Latina
No eixo de sustentabilidade, o destaque é a ampliação do iFood Pedal, programa de entregas com bicicletas elétricas operado em parceria com a Tembici. Durante a COP30, em Belém, a empresa anunciou que o projeto será expandido para até 45 mil e-bikes, com 20 mil integradas até 2027, o que deve levar a frota total para mais de 25 mil bicicletas elétricas em operação nos próximos meses.

Para viabilizar a expansão, o iFood pretende investir até R$ 300 milhões no programa, consolidando o iFood Pedal como o maior proj=eto de descarbonização de entregas da América Latina.
Segundo estimativas divulgadas pela companhia:
- A iniciativa deve evitar a emissão de cerca de 7,5 mil toneladas de CO₂ por ano, volume equivalente ao que 300 mil árvores levariam um ano para absorver;
- O programa já teria evitado potencialmente mais de 13 mil toneladas de CO₂ desde 2020;
- As e-bikes reduzem o custo operacional dos entregadores e oferecem um modal de maior eficiência em áreas urbanas congestionadas.
Além das bicicletas, o iFood mantém Pontos de Apoio para entregadores, espaços com estrutura de descanso, água, banheiro e recarga de celulares e bikes. Pelo menos 30 unidades estão em operação em diferentes cidades, como parte de uma agenda mais ampla de bem-estar e infraestrutura para quem trabalha na plataforma.
Concorrência crescente e resposta estratégica
O anúncio de investimento bilionário ocorre em um contexto de acirramento da concorrência no delivery, com a entrada e expansão de players estrangeiros – especialmente empresas chinesas – e o fortalecimento de superapps que combinam entregas rápidas, serviços financeiros e outras verticais.
Analistas de mercado destacam que o plano de R$ 17 bilhões é, ao mesmo tempo, uma defesa de liderança e um movimento ofensivo para consolidar o ecossistema do iFood em torno de três pilares principais:
- Escala de demanda – mais tráfego e pedidos na plataforma, impulsionados por marketing, promoções e IA de recomendação;
- Valor para o parceiro – crédito, ferramentas digitais para gestão e vendas mais previsíveis para restaurantes;
- Sustentabilidade e logística avançada – modais elétricos, otimização de rotas e iniciativas para reduzir emissões de carbono.
Perspectivas: 1 bilhão de pedidos adicionais e consolidação do ecossistema
Se as metas forem atingidas, o iFood pretende sair do ciclo 2025–2028 com:
- 80 milhões de usuários ativos, frente aos atuais 55 milhões;
- 200 milhões de pedidos por mês, contra 120 milhões hoje;
- R$ 5,2 bilhões em repasses anuais aos entregadores;
- Uma rede ainda mais ampla de restaurantes digitalizados e maior penetração em novos segmentos.
Para Diego Barreto, CEO do iFood, o plano traduz a visão de crescimento compartilhado: os investimentos em IA, crédito e logística têm o objetivo de fazer a plataforma, os restaurantes e os entregadores crescerem juntos, ao mesmo tempo em que o app busca manter vantagem competitiva em um mercado cada vez mais disputado.
Na prática, o novo ciclo de R$ 17 bilhões reforça o iFood como um dos principais investidores privados em tecnologia, logística e crédito voltados ao food service no Brasil, com potencial de redesenhar a forma como o brasileiro pede comida – e como milhares de pequenos negócios se financiam, se digitalizam e se conectam aos seus clientes.
Publicidade
Transforme sua presença digital
Descubra como a Tecnovix pode ajudar sua empresa a crescer no mundo digital
Impulsione seu negócio com a Tecnovix
Soluções digitais para sua empresa crescer
Patrocinado
Artigo escrito por

