Vammo capta US$ 45 milhões e planeja quadruplicar frota de e-bikes até 2026

Vammo capta US$ 45 milhões em Série B e mira 18 mil motos elétricas e 500 estações de troca até 2026
A Vammo, startup paulistana especializada no aluguel de motocicletas elétricas com troca rápida de baterias, fechou uma rodada Série B de US$ 45 milhões liderada pelo fundo norte‑americano Ecosystem Integrity Fund (EIF), gestor focado em tecnologias limpas e descarbonização. Também participaram da rodada Qualcomm Ventures, 2150, Monashees, Construct Capital, Maniv Mobility, Endeavor Catalyst e um grupo de ex-funcionários da Tesla.

Fundada em 2022 e com fábrica em Manaus, a Vammo opera hoje uma frota de cerca de 5 mil motocicletas elétricas voltadas principalmente a entregadores de aplicativos, apoiadas por 150 estações de troca de bateria e uma unidade dedicada de manutenção na região metropolitana de São Paulo.
Com o novo aporte, a empresa planeja quadruplicar a frota para 18 mil motos até 2026 e expandir a rede para 500 pontos de troca de bateria, ampliando sua presença em São Paulo e iniciando operações em novas cidades brasileiras e países da América Latina.
Modelo de negócio: aluguel de motos elétricas com troca instantânea de baterias
A Vammo atua com um modelo de assinatura de motocicletas elétricas, em que o entregador não precisa comprar o veículo nem se preocupar com tempo de recarga. Em vez disso, ele aluga a moto e tem direito a trocas ilimitadas de baterias em estações espalhadas pela cidade: ao chegar com a bateria descarregada, simplesmente a substitui por outra totalmente carregada, em um processo que leva menos de dois minutos.
O pacote inclui manutenção, seguro, IPVA e moto reserva, além de suporte 24 horas, e é desenhado para o perfil de motoboys e entregadores de aplicativos que rodam dezenas ou centenas de quilômetros por dia.
Segundo Jack Sarvary, cofundador e CEO (ex-Rappi), a Vammo se enxerga como “uma empresa de tecnologia que faz mobilidade elétrica funcionar por meio da combinação de hardware, baterias e software”. Algoritmos proprietários gerenciam o carregamento e a saúde das baterias, otimizando o uso da rede e prolongando a vida útil dos equipamentos.
Tabela – Escala atual e metas da Vammo
Economia para o entregador e redução de até 90% nas emissões de CO₂
O argumento central da Vammo para conquistar motoboys é financeiro. De acordo com estimativas da empresa, um entregador que utiliza moto própria a gasolina gasta cerca de R$ 1.600 por mês somando financiamento, manutenção e combustível. Já o aluguel de uma moto elétrica da Vammo pode ficar abaixo de R$ 1.000 mensais, incluindo troca ilimitada de baterias e manutenção.
Além do bolso, há o impacto ambiental. Cada motocicleta da Vammo emite até 90% menos dióxido de carbono em comparação com uma moto convencional, graças à combinação de motor elétrico, infraestrutura de recarga e matriz elétrica brasileira majoritariamente renovável.
O estado de São Paulo, sozinho, tem cerca de 500 mil motoboys registrados, segundo dados de sindicato citados em reportagens especializadas – um mercado-alvo considerável para soluções que combinem economia de combustível e menor impacto ambiental.
Manufatura em Manaus e desenvolvimento de modelo híbrido elétrico + etanol
Um dos pilares do plano de expansão é a produção nacional de motocicletas e equipamentos. A Vammo já monta seus veículos e gabinetes de baterias em uma planta na Zona Franca de Manaus e pretende investir mais de R$ 500 milhões na unidade fabril, aumentando capacidade e integrando cada vez mais componentes localmente.
A estrutura das motos é propriedade intelectual 100% da Vammo, desenhada especificamente para as condições de uso da América Latina – ruas esburacadas, longas jornadas de trabalho e necessidade de facilidade de manutenção. Os componentes são produzidos em parceria com fabricantes na China e depois montados em Manaus.
Além das motos elétricas atuais, a empresa desenvolve uma plataforma de veículos híbridos que combinam propulsão elétrica com etanol, buscando um modelo ainda mais adequado ao contexto brasileiro, onde o biocombustível é amplamente disponível e já conta com infraestrutura consolidada.
Rede de estações: ativo estratégico e desafio de escala
Se por um lado a rede de estações de troca de bateria é a grande vantagem competitiva da Vammo – eliminando o tempo de recarga e tornando a moto elétrica viável para uso intensivo – por outro, também é o principal desafio de expansão.
Analistas apontam que o modelo exige alta densidade de pontos de troca para garantir conveniência aos entregadores, o que implica pesados investimentos prévios em infraestrutura antes da entrada em novos bairros ou cidades.
Hoje, a empresa conta com cerca de 150 estações na Grande São Paulo, muitas delas em parceria com postos de combustível, estacionamentos, comércios e empresas que cedem espaço em troca de fluxo e relacionamento com entregadores.
Com o aporte da Série B, o objetivo é chegar a 500 pontos até 2026, mais do que triplicando a capilaridade da rede. Parte das novas estações seguirá o modelo de gabinetes de autoatendimento, já testado pela startup, que permite ao motociclista realizar a troca sozinho em poucos minutos.
Investidores e validação internacional do modelo
A rodada de US$ 45 milhões traz para o cap table da Vammo um conjunto de investidores com forte histórico em climate tech, mobilidade e hardware complexo:
- Ecosystem Integrity Fund (EIF) – fundo do Vale do Silício focado em tecnologias de redução de emissões, com experiência em modelos de mobilidade elétrica em Índia e África;
- Qualcomm Ventures – braço de venture capital da gigante de semicondutores, interessado em aplicações de eletrificação e conectividade;
- Monashees e 2150 – investidores que já haviam liderado a Série A de US$ 30 milhões em 2023;
- Construct Capital, Maniv Mobility, Endeavor Catalyst e ex-funcionários da Tesla – nomes com forte histórico em hardware, automotivo e escala industrial.
Para o EIF, “a Vammo está posicionada para liderar a transição da América Latina para motocicletas elétricas”, replicando em mercados emergentes um modelo de frota elétrica e infraestrutura de troca bem-sucedido em outros países.
Concorrência no mercado de motos elétricas e próximos passos
O mercado de motos elétricas no Brasil vive um novo ciclo de tração, com players como Vammo, Riba e montadoras tradicionais testando modelos de frotas elétricas e estações de recarga.
A Vammo, porém, aposta em alguns diferenciais:
- Foco em entregadores profissionais, que rodam muitas horas por dia;
- Rede proprietária de estações de troca, em vez de recarga lenta convencional;
- Produção nacional em Manaus, com IP próprio e motor adaptado à realidade local;
- Plano de expansão para outros países da América Latina, replicando o cluster inicial criado em São Paulo.
Apesar do crescimento acelerado – de 1 mil motos em 2023 para 5 mil em 2025 –, a empresa ainda está aquém da meta divulgada anteriormente de fechar 2025 com 15 mil unidades em circulação. O novo aporte e o foco em infraestrutura indicam um esforço para recuperar o ritmo e destravar os gargalos de escala.
Uma aposta para a transição energética sobre duas rodas
Com a Série B de US$ 45 milhões, o investimento fabril em Manaus e a meta de quadruplicar a frota até 2026, a Vammo se posiciona como uma das principais apostas para eletrificar a frota de duas rodas na América Latina – segmento que, por natureza, tende a ser o primeiro a migrar para a energia elétrica.
Se conseguir executar o plano de chegar a 18 mil motos, 500 estações e um modelo híbrido elétrico + etanol funcional, a startup terá não apenas reduzido a conta mensal de milhares de entregadores, mas também criado um blueprint brasileiro de mobilidade elétrica popular, combinando hardware próprio, manufatura local, infraestrutura de baterias e software de gestão em uma mesma plataforma.
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